segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Líder quilombola acusa prefeito de impedir realização de curso

A Presidente da Associação de Mulheres do Quilombo do Tabuleiro da Vitória e Adjacências,Maria de Totó, relatou que após liberação da Creche Escola João de Matos para realização de curso de direitos humanos, que aconteceria entre os dias 21 e 23 de setembro, o Prefeito Tato Pereira desautorizou o diretor da unidade escolar e mandou botar no meio da rua todos os materiais e equipamentos do trabalho e disse que como justificativa, o Prefeito alegou em praça pública que os responsáveis pelo evento faziam oposição a sua gestão e não votariam nos seus candidatos a deputado federal e estadual nas eleições 2018.

O curso que aconteceria integra o projeto “Oficinas de Formação de Agentes Quilombolas de Direitos: Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, Promoção de Direitos Humanos e Cidadania na Microregião do Tabuleiro da Vitória”. A formação é voltada para 40 quilombolas de comunidades da região que foram selecionadas em processo público e aprovado em edital do Governo da Bahia.

Segundo a presidente da entidade realizadora, Maria de Totó, a Associação pediu através de oficio a cessão do espaço ao diretor da escola, que apoiou a iniciativa entregando as chaves de imediato: “é comum a utilização desta Creche Escola em eventos particulares, como batizados e aniversários, além de atividades formativas. A comunidade tem o diretor Cândido Casais como um parceiro que, para nós, não teve forças para se contrapor aos desmandos de Tato Pereira”, disse a liderança que se surpreendeu com a retomada das chaves sob a alegação de que “tinha recebido ordens e o evento não podia mais acontecer na escola”.

Segundo a advogada da entidade, Anhamona de Brito, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola preveem a necessidade de integração destes espaços com as demais políticas e atividades relativas aos direitos dos povos e comunidades tradicionais; tendo como obrigatória a gestão democrática com a participação popular. A advogada afirmou que “a retaliação do prefeito Tato reflete uma postura coronelista e também ímproba, na medida em que a escola não é propriedade privada, tampouco deve atender a interesses eleitoreiros”.

O prefeito respondeu por meio de uma nota

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Venho a público esclarecer que em momento nenhum foi recusado o acesso e o uso de prédios públicos do município para atividades com fins educativos ou formativos. A utilização da Escola Creche João de Matos, do Tabuleiro da Vitória, foi negada à senhora Maria de Totó pelo motivo dela pretender realizar atividades de cunho político-partidário no espaço.

Medidas judiciais estão sendo tomada contra as acusações desta senhora que desrespeita um governo que valoriza, incentiva, fomenta e impulsiona a população quilombola, lutando contra o racismo e todas as formas de discriminação.

Nossa gestão foi a que mais promoveu a igualdade racial no município, com projetos, ações e, principalmente, respeito à luta do povo negro. Exemplo disso, foi a criação da Secretaria de Promoção à Igualdade Racial no ano passado, que é conduzida por uma mulher negra e quilombola. Inclusive, dentre todas as gestões que passaram, esta é a que possui mais mulheres e negros à frente das Secretarias municipais. Isso demonstra a valorização à igualdade racial e de gênero, além do reconhecimento da luta por espaços e lugar de fala numa sociedade que historicamente oprime e explora negros e mulheres.

TATO
Prefeito de Cachoeira


F: Olha A Pititinga

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