Razão da crise
A ofensiva de redução de custos acontece em meio a uma situação financeira delicada. Nos três primeiros meses de 2026, a Casas Bahia teve prejuízo de 1,064 bilhão de reais, ante uma perda de 408 milhões de reais no mesmo intervalo do ano anterior. Em 2025, o prejuízo consolidado acumulado pela companhia havia ficado perto de 3 bilhões de reais.
Um dos principais pontos de pressão está nas despesas financeiras. No primeiro trimestre, o resultado financeiro líquido foi negativo em 1,171 bilhão de reais, em um cenário de juros altos. Ao mesmo tempo, o elevado endividamento das famílias tem restringido o consumo, dificultando uma recuperação mais forte das vendas.
A companhia passou por uma recuperação extrajudicial em 2024, após um desequilíbrio em sua estrutura de capital. O processo foi solucionado em acordo com os bancos, mas a empresa continuou convivendo com o impacto das despesas financeiras e com a necessidade de melhorar seus resultados.
O digital cresce enquanto a rede física encolhe: uma nova etapa de redução de sua estrutura
A crise financeira contrasta com a evolução de alguns indicadores da operação. No primeiro trimestre de 2026, a receita bruta consolidada aumentou 6,4% em relação ao mesmo período de 2025 e chegou a 8,8 bilhões de reais. A receita líquida somou 7,416 bilhões de reais, crescimento de 6,1%.
O lucro bruto avançou 6,5%, para 2,247 bilhões de reais. Já o Ebitda ajustado subiu 4,7%, chegando a 597 milhões de reais, com margem de 8,1%, praticamente estável na comparação anual.
A principal força por trás desse desempenho está no comércio eletrônico. O volume bruto de mercadorias movimentado pelo grupo cresceu 5%, para 11,2 bilhões de reais. O e-commerce teve alta de 14,6%, acumulando seis trimestres seguidos de crescimento.
Enquanto o negócio digital avança, a operação física perde espaço. Ao fim de 2025, o grupo reunia 1.042 lojas, contra 1.064 em 2024 e 1.078 em 2023, considerando Casas Bahia e Ponto Frio. Nos 12 meses encerrados em março, o saldo havia sido de 26 unidades fechadas - 12 Casas Bahia e 14 Ponto Frio.
O movimento anunciado nesta semana representa uma redução de escala muito maior. A companhia busca, com isso, diminuir sua estrutura, melhorar a geração recorrente de caixa e voltar a alcançar resultados positivos, além de equilibrar o desempenho dos canais físico e digital.
Cortes devem pesar no curto prazo
Embora o objetivo seja reduzir as despesas, os efeitos financeiros da reestruturação não serão necessariamente imediatos. Encerramentos de lojas e desligamentos de funcionários geram custos no início do processo, antes que a estrutura menor produza uma economia permanente.
A companhia também alterou o calendário de divulgação de seus resultados. O balanço do segundo trimestre, inicialmente previsto para quarta-feira, 12, foi transferido para esta sexta-feira. A teleconferência com investidores está marcada para o dia 17.
A expectativa é que a Casas Bahia apresente nos próximos dias mais informações sobre o plano de redução de despesas. O tamanho dos cortes evidencia a pressão para ajustar uma estrutura que ainda registra crescimento operacional, especialmente no digital, mas permanece afetada por prejuízos elevados e pelo peso do resultado financeiro.
Impacto em Cruz das Almas com fechamento de uma das unidades e mobilização sindical
O encerramento das atividades da filial da Casas Bahia em Cruz das Almas acendeu um alerta para o comércio local. A medida impacta diretamente mais de 15 famílias de trabalhadores vinculados à loja, gerando preocupação quanto ao sustento e ao cumprimento dos compromissos financeiros dos afetados.
Em pronunciamento feito neste sábado (15), a presidente do Sindicato dos Comerciários de Cruz das Almas (SindCruz), Joelma Santana, informou que a entidade já tomou providências cabíveis diante da situação. O departamento jurídico do sindicato encaminhou uma notificação extrajudicial ao grupo responsável pela empresa para obter esclarecimentos sobre os procedimentos do encerramento, o plano de rescisão contratual e os prazos de pagamento das verbas devidas.
Atuação do Sindicato e Direitos Trabalhistas
O objetivo da notificação é garantir transparência no processo e assegurar o cumprimento integral dos direitos trabalhistas dentro dos prazos legais. A dirigente ressaltou que, embora o pagamento das rescisões não elimine a insegurança decorrente do desemprego, o SindCruz continuará acompanhando de perto cada etapa do desligamento dos funcionários.
Joelma Santana reforçou ainda a relevância da trajetória e da capacitação dos profissionais afetados, destacando que a entidade sindical manterá o apoio necessário para resguardar a dignidade e a recolocação dos trabalhadores no mercado.



























