quarta-feira, 8 de julho de 2020

Fundador da Ricardo Eletro é preso em SP acusado de sonegar R$ 400 milhões

O empresário Ricardo Nunes, fundador da rede varejista de eletrodomésticos Ricardo Eletro, foi preso na manhã de hoje na Operação Direto com o Dono, deflagrada pelo MP-MG (Ministério Público de Minas Gerais) em parceria com a Secretaria da Fazenda mineira e a Polícia Civil, de acordo com informações da Globonews. Nunes foi preso no estado de São Paulo.

Cruz das Almas, no Recôncavo baiano, tem uma filial da Ricardo que mantem mais de 30 empregos diretos.

O fundador da Ricardo Eletro é acusado de sonegação de impostos e lavagem de dinheiro. Segundo o MP-MG, a operação, que investiga mais empresários do ramo de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, apura a sonegação de cerca de R$ 400 milhões em impostos que deveriam ter sido pagos ao estado de Minas Gerais.

A força-tarefa composta pelos três órgãos mineiros cumpre três mandados de prisão e mais 14 de busca e apreensão. A Polícia Civil foi às ruas das cidades mineiras de Belo Horizonte, Contagem e Nova Lima, além de cumprir mandados também em São Paulo e Santo André no estado paulista.

Ricardo Nunes teve determinado pela Justiça o sequestro de bens e imóveis seus avaliados em cerca de R$ 60 milhões. Isso porque há indícios de que o patrimônio, registrado no nome de suas filhas, mãe e um irmão, cresceu justamente no período da sonegação de impostos. A decisão judicial tem como objetivo ressarcir o dano causado ao estado mineiro.

Segundo o MP-MG, lojas da rede Ricardo Eletro cobravam dos consumidores impostos embutidos nos preços dos produtos, como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço), e depois empresários investigados no esquema embolsavam essa quantia.

A investigação que levou à prisão de Nunes ganhou força no ano passado com uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal). Em novembro, a Corte definiu como crime a apropriação do ICMS.

O Ministério Público mineiro chegou à conclusão de que Nunes cometeu o crime de lavagem de dinheiro porque o seu patrimônio teve um crescimento vertiginoso justamente à época da sonegação. De acordo com o órgão, o empresário possui de dezenas de imóveis, participações em shoppings na região metropolitana de Belo Horizonte e fazendas.

Desde o ano passado, a Ricardo Eletro encontra-se em recuperação judicial, oficialmente sem condições de arcar com suas dívidas, que somavam cerca de R$ 3 bilhões. A rede já fechou várias lojas no país e chegou a encerrar sua operação no Mato Grosso.

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