quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Criticado por Bolsonaro, tratamento gratuito para HIV ajuda a conter avanço de doença

Alguns dias após o resultado das eleições presidenciais, no final de outubro, entidades da área de saúde divulgaram um manifesto recomendando a permanência das políticas públicas de prevenção e tratamento de HIV/Aids. O posicionamento está relacionado a um temor sobre o futuro dos programas no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Em 2010, o então deputado federal pelo PP afirmou, em entrevista ao programa CQC, da Band, que o Estado não deveria custear o tratamento para HIV/Aids. “Uma pessoa que vive na vida mundana depois vai querer cobrar do poder público um tratamento que é caro, criticou Bolsonaro.Se não se cuidou, o problema é deles”.


De acordo com levantamento realizado em 2017 pelo Ministério da Saúde, o Brasil tem cerca de 548 mil pessoas em tratamento contra HIV. Apenas na Bahia, 19,5 mil pacientes utilizam a terapia antirretroviral, mostram dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). Os números de infectados poderiam ser ainda maiores, caso o serviço não fosse oferecido via Sistema Único de Saúde (SUS).

“O Brasil está na vanguarda com relação a vários outros países que ainda não têm esse tipo de estratégia no serviço público”, avaliou a coordenadora do programa de DST/Aids da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS), Helena Lima. “Não é importante só porque melhora a saúde do indivíduo. Com uma carga viral suprimida, ele deixa de transmitir para outras pessoas, colaborando com a quebra dessa cadeia. Não é só um benefício para o indivíduo que está se tratando, mas para a sociedade como um todo”.

O coquetel antirretroviral tem a capacidade de reduzir a quantidade de HIV no sangue para níveis que são indetectáveis por testes laboratoriais padrão. De acordo com o programa das Nações Unidas para HIV/Aids, Unaids, há um consenso crescente entre cientistas de que pessoas com carga viral indetectável em seu sangue não transmitem o vírus sexualmente.

CUSTOS DO TRATAMENTO
O orçamento do Ministério da Saúde para combate ao HIV, Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e Hepatites Virais para 2018 é de R$ 1,7 bilhão. Deste total, o recurso para medicamentos é de R$ 1,2 bilhão. De acordo com a pasta, estima-se que o custo médio ponderado anual para tratamento com antirretroviral no Brasil, por pessoa vivendo com HIV, foi de R$ 2.137,17 no ano passado.

Com base nesses dados, o paciente com HIV teria que investir aproximadamente R$ 180 por mês para tratamento. “Seria um grande retrocesso se isso acontecesse, porque você imagina a despesa que isso representa no orçamento de um indivíduo que vai fazer uso crônico de uma medicação. Esse impacto financeiro já seria um fator dificultador para que esse indivíduo faça o tratamento”, argumentou Helena.

Apesar de já representar um gasto relativamente alto, o valor considera apenas os antirretrovirais, mas alguns pacientes precisam utilizar medicamentos auxiliares para tratar sintomas ou efeitos colaterais. Atualmente, essas medicações auxiliares são oferecidas a nível estadual ou municipal, enquanto os antirretrovirais são fornecidos pelo governo federal.

Muitas vezes, é preciso usar medicações preventivas, para não manifestar sintomas, ou até que o sistema imune se restaure com o coquetel, que exige um tempo para ter a eficiência. Há também o tratamento auxiliar para o caso de efeitos colaterais. Isso melhorou muito com os novos coquetéis, mas ainda pode acontecer”, explicou a infectologista Miralba Freire, diretora do Centro Estadual Especializado em Diagnostico Assistência e Pesquisa (Cedap).

A política brasileira de combate a HIV/Aids é apontada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um exemplo a ser seguidos pelos países emergentes. Em Salvador, a testagem para o vírus está disponível na maioria das unidades municipais de saúde. No caso de resultado positivo, o tratamento especializado é oferecido no Serviço Municipal de Assistência Especializada (Semae), na Liberdade; no Serviço de Atenção Especializada (SAE) São Francisco, em Nazaré; e no SAE Marymar Novaes, no Bonfim. Há também unidades do Estado que oferecem tratamento: Cedap, hospitais das Clínicas, Roberto Santos e Couto Maia.

F: Bahia Notícias

4 comentários:

  1. Por um lado ele está certo, o dinheiro poderia ser usado em outros fins, Eu não tenho, nada contra quem tem, fiz sexo poucas vezes com algumas mulheres e com camisinha, fora isso nunca fiz, não só para evitar transmissões de doenças sexualmentes transmissíveis outras não só HIV, Mas também para evitar filhos(a) em um momento sem condições de ter uma criança, Sem emprego e sem casa, o aluguel de uma simples residência e custos alimentícios meu, do cônjuge e do bebê recém-nascido.
    Então, não seria um bom momento, ter uma criança, nessa determinada fase.
    Enfim, cada um cada um.
    Alguns pessoas tem condições outras não.

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  2. Olha só, Os Sites estão Cheios de engraçadinho(a)s nos comentários, mantenham o nivel, Deixem de Palhaçadas!

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