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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Tecnologias da cultura da mandioca vão ser divulgadas no Show Rural Coopavel

De 3 a 7 de fevereiro, em Cascavel (PR), a Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, participa da 32ª edição do Show Rural Coopavel. O evento, que visa fortalecer e ampliar a produtividade de várias culturas da região oeste do Paraná, acontece em uma área de 72 hectares e pretende atrair mais de 250 mil visitantes e movimentar R$ 2 bilhões. Participam do evento 650 expositores de diversas áreas do agronegócio. 
Pela primeira vez, essa Unidade de pesquisa leva apenas tecnologias relacionadas à cultura da mandioca, com destaque para o lançamento da variedade BRS 420, cultivar precoce para indústria, adaptada ao plantio direto e à mecanização, oriunda da Embrapa Cerrados (Planaltina, DF). A Embrapa Mandioca e Fruticultura dispõe de um Campo Avançado de pesquisa e transferência de tecnologia na região Centro-Sul (Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul), com três pesquisadores que lideraram o trabalho. 

Experimentos com a cultura da mandioca foram implantados na Vitrine Tecnológica, como variedades apropriadas para o Centro-Sul do país, e na Vitrine Agroecológica, que vai demonstrar o plantio em fileira dupla e a câmara de multiplicação rápida, duas tecnologias de fácil apropriação pelo produtor. O atendimento ao público vai ser realizado pelos técnicos da Unidade na Casa da Embrapa. 

BRS 420 (mandioca para indústria) – Além da adaptação ao plantio direto (sistema que confere estabilidade produtiva e conservação ambiental), o comportamento produtivo da BRS 420 foi superior ao das cultivares locais, seja em colheitas precoces (10 a 12 meses após o plantio) ou tardias (até 24 meses após), o que assegura flexibilidade de colheita e amplia a janela de comercialização. Outra característica é a rápida cobertura do solo, que ajuda no manejo das ervas daninhas. Testes realizados em fecularias revelaram elevada aptidão da cultivar para uso industrial, uma vez que suas raízes apresentam fácil descascamento e amido de alta qualidade para a alimentação. Outra característica importante da BRS 420 é a facilidade de arranque, em função da disposição horizontal de suas raízes.  

O trabalho de pesquisa foi realizado em parceria com Embrapa Cerrados, Associação Técnica das Indústrias de Mandioca do Oeste do Paraná (Atimop), Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam), Centro Tecnológico da Mandioca (Cetem), Sindicato das Indústrias de Mandioca do Paraná (Simp), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e Fundação Banco do Brasil, além dos diversos produtores e indústrias que integram essas instituições e destinam áreas para os experimentos (mais informações no folder).

BRS CS01 (mandioca para indústria) – Para atender à elevada demanda por materiais com alta produtividade, elevado teor de amido (carboidrato utilizado em indústrias alimentícias, de mineração, exploração de petróleo etc.) e resistência às principais doenças, a Embrapa desenvolveu sua primeira variedade de mandioca para a indústria. Recomendada para os estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, a BRS CS01 apresentou, no segundo ciclo (colheita aos 18 meses), produtividade até 93% superior às variedades hoje plantadas nesses estados. Os cruzamentos foram feitos na Embrapa Mandioca e Fruticultura, e as plantas provenientes das sementes obtidas nesses cruzamentos foram levadas para avaliação na Embrapa Agropecuária Oeste (MS) e áreas de parceiros.

BRS 396 e BRS 399 (mandiocas de mesa) – As duas variedades apresentam elevado potencial produtivo, precocidade (colheita a partir dos sete meses após o plantio), polpa das raízes de coloração amarela, reduzido tempo para cozimento, boas qualidades culinárias, arquitetura pouco ramificada (favorável aos tratos culturais) e facilidade de colheita (raízes mais horizontais, que favorecem o arranque). A BRS 396 apresenta moderada resistência à bacteriose e resistência ao superalongamento, enquanto a BRS 399 é resistente aos dois problemas. Essas foram as primeiras cultivares de mandioca recomendadas pela Embrapa para Paraná e Mato Grosso do Sul. Em relação à BRS 396, obteve-se produtividade 40% superior à cultivar-padrão, bastante difundida na região, enquanto para a BRS 399 a produtividade foi, em média, 73,6% superior à cultivar-padrão. 

Multiplicação rápida – Um método simples, barato e que pode ser utilizado em qualquer propriedade para aumentar a baixa taxa de multiplicação da mandioca é a multiplicação rápida, que consiste em cortar as hastes da planta em pedaços com duas gemas e plantá-los em canteiros cobertos com plástico transparente para reter o calor do sol. Esses canteiros são regados frequentemente, e, assim, a umidade e a temperatura elevadas induzem o brotamento das manivas. Ao atingir o tamanho de 10 a 15 cm, os brotos são cortados e postos em água para enraizar. Por sua vez, as manivas de duas gemas voltam a brotar. De uma planta madura, pode-se cortar 150 manivas com duas gemas, sendo que cada uma produzirá em média oito brotos na câmara de propagação. Com o sistema tradicional, obtém-se geralmente 10 manivas a partir de uma planta madura/ano. 

Plantio em fileira dupla – Em geral, o espaçamento recomendado pela Embrapa para o plantio de manivas de mandioca é de 2m x 60cm x 60cm. Suas principais vantagens são facilitar a mecanização e a consorciação com outras culturas, aumentar a produtividade e reduzir o consumo de manivas e adubos. A proximidade das plantas também facilita a inspeção de pragas e doenças e a aplicação de agroquímicos, quando necessário. 

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