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quarta-feira, 13 de maio de 2020

Corpos com suspeita de covid-19 e de outras causas são colocados juntos no necrotério do HGCA, denunciam familiares

Familiares de dois homens que estavam internados no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana, e morreram nesta terça-feira (12), em consequência de acidentes de trânsito denunciaram à imprensa, que os corpos dos parentes foram colocados juntos a dois corpos com suspeita de covid-19, no necrotério do hospital.

Marilande Paixão, sobrinha de Luiz Gonzaga Oliveira, 54 anos, que estava internado após um acidente ao lado da CERB, no Jomafa, reclamou que a família não teve acesso para visitar o parente, mas após sua morte, o corpo foi colocado ao lado de outros com suspeita do coronavírus.

“Fomos proibidos de ver nosso tio por conta do pânico que está na cidade por conta do covid, nós recebiamos todos os dias, quase todos os dias, ligações para nos dar o boletim, muitas das vezes esse boletim passava dois ou três dias sem a gente receber. Nós não podíamos entrar de forma alguma por conta do covid e ficamos sabendo essa semana, que em frente a sala de estabilização, onde tinham oito pacientes internados com problemas gravíssimos, encontravam-se quatro pacientes de covid, e os médicos estavam em pânico e nem saíam para dar notícias aos seus familiares. Meu tio, ontem (12), faleceu por volta das 9 horas, quando o hospital nos comunicou e desde lá nós tentamos tirar meu tio de lá. Fizeram o levantamento cadavérico, ontem de tarde, e chegando lá foi diagnosticado que existiam dois corpos com sintomas de covid 19, junto com mais dois mortos de acidente”, denunciou.

Segundo ela, uma equipe do Departamento de Polícia Técnica esteve no hospital, mas recuou do levantamento cadavérico ao tomar conhecimento do fato e de nenhum funcionário do HGCA se disponibilizar para a retirada dos corpos do necrotério.
Ainda de acordo com Marilande, após vários transtornos, um coordenador do hospital, que não soube informar o nome, vestiu a roupa adequada e liberou os corpos por volta das 20h.

“Fiquei chateada por conta de tanta irresponsabilidade, uma parede de gesso separaria os corpos e eles colocaram os corpos juntos. Porque tanto cuidado, não deixa a gente ver nossos familiares, é muito cuidado e bota sala de pacientes de covid, juntamente com uma semi UTI. Na hora que morre, mistura corpos de pessoas que foram de acidente com covid. Quais são os cuidados que esse hospital está tomando?”, desabafou.

Por conta de estar no mesmo local onde haviam vítimas com suspeita de covid-19, o corpo de Luiz Gonzaga foi colocado em um caixão lacrado para ser sepultado, sem velório, no cemitério do distrito de Maria Quitéria.

Outra vítima de acidente, Ademilton Santos de Oliveira, 46 anos, que morreu no HGCA, após um acidente de moto em Capela do Alto Alegre, também teve o caixão lacrado para o sepultamento, sem velório.

“Uma irresponsabilidade do Clériston. Colocaram o corpo do meu irmão, que foi um acidente de moto, no necrotério e também colocaram mais outros corpos com suspeita de coronavírus. Diante disso gerou um impasse pra fazer a remoção desse corpo pra cá. Isso é desumano, uma situação terrível para uma família. Se o estado constrói um hospital para receber paciente de coronavírus, um hospital do porte desse não pode ter uma sala preparada para colocar os óbitos de coronavírus?”, reclamou a irmã.

Resposta do HGCA
Em entrevista ao repórter Denivaldo Costa, o diretor do HGCA, José Carlos Pitangueira admitiu o problema e prometeu resolver o problema ainda nesta quarta-feira (13). Ele alegou que o hospital não tem obrigação de designar funcionário para auxiliar no levantamento cadavérico e que o trabalho cabe à polícia.“Tem suspeita (coronavírus), agora pra que seja muito claro, o que aconteceu já está sendo resolvido hoje, porque ninguém pensou nessa situação. Já vai ter um lugar pra ser colocado o suspeito e principalmente o pessoal que usa, porque tem muita gente usa a pedra da gente e não sabe o que é. Tem gente que morre na rua e o SAMU bota na pedra da gente também. Agora, o problema é o seguinte: nós não temos a obrigação nenhuma de dar funcionário para fazer o atendimento do levantamento. Levantamento quem faz é a polícia e eles vão ter fazer por eles, não é pela gente não”, declarou.

Ainda de acordo com Pitangueira, um protocolo determina que nos casos suspeitos de covid-19, os corpos devem ser sepultados no município onde ocorrem o óbito. Informou também que a partir do meio dia desta quarta-feira (13) já estará disponível uma sala para abrigar os corpos com suspeita de coronavírus.

Risco de contaminação no DPT
Preocupados com a situação denunciada pelas famílias, funcionários do Departamento de Polícia Técnica (DPT), ligados diretamente ao trabalho de levantamento cadavérico, esperam que os órgãos de saúde façam testes e desinfecção do prédio onde são realizadas necropsias.No dia 30 do mês passado, uma equipe da prefeitura de Feira de Santana realizou um trabalho de desinfecção nas instalações do Complexo de Delegacias do Sobradinho, após um preso custodiado ter testado positivo para Covid-19.  Após contraprova de exame junto ao Laboratório Central de Bahia (Lacen), foi declarado negativo.

Com informações do Central de Polícia, com informações e fotos de Denivaldo Costa

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