domingo, 25 de abril de 2021

GOVERNADOR MANGABEIRA: Município alega ao Governo do Estado ter recebido doses a menos de imunizantes contra a covid-19; Anvisa investiga o caso

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está apurando a suspeita de que lotes da vacina contra a covid-19 Coronavac tenham sido entregues entre março e abril com quantidade inferior à informada.

Quase a totalidade das denúncias se refere ao imunizante fornecido pelo Instituto Butantan, mas também há relatos envolvendo o imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford com a Astrazeneca. A situação foi relatada por governos, prefeituras e conselhos de secretarias de Saúde de ao menos 15 Estados e do Distrito Federal. Ela (Butatan) também é investigada pelo Ministério Público do Paraná, embora o Instituto Butantan negue falhas no envasamento da vacina e atribua o problema à extração incorreta do conteúdo antes da aplicação.

Os relatos são de frascos com menos do que as 10 doses previstas, de 0,5 ml cada. Alguns municípios chegaram a informar ter recebido ampolas com material suficiente para apenas sete aplicações, o que gerou até mesmo a suspensão parcial de campanhas de vacinação. Os possíveis motivos apontados por Estados são a autorização do uso de ampolas de 5,7 ml, em vez das de 6,2 ml, em março, diminuindo a quantia excedente de "segurança", e a dificuldade de acesso a seringas de "alta performance", a fim de reduzir as perdas.

Na terça-feira, 13, o deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) divulgou ter procurado a Procuradoria Geral da República para solicitar a abertura de um inquérito para apurar a situação. "É preciso investigar! Cada dose de vacina é importante", disse em rede social.

Em nota, a Anvisa apontou ter observado um "aumento de queixas técnicas relacionadas à redução de volume nas ampolas", o que está sendo investigado "com prioridade" pela área de fiscalização. Também disse que "todas as hipóteses estão sendo avaliadas" e que a situação é considerada de "baixo risco", "por não haver risco de óbito, de causar agravo permanente e nem temporário".

Na Bahia, por exemplo, o governo diz ter recebido 96 reclamações do tipo desde 19 de março, de 31 cidades. Do total, 84 foram referentes à Coronavac e as demais, à vacina criada pela Universidade de Oxford com a Astrazeneca - que afirma oferecer em cada frasco o chamado ‘overfill’. Entre os municípios, estão Salvador, Governador Mangabeira, Serrinha e Caetanos. Antes da data, o Estado havia sido notificado apenas duas outras vezes.

"Tem acontecido por erro do envasador, do Butantan, vários frascos virem com menos de 10 doses", disse o secretário estadual da saúde, Fábio Vilas-Boas, em áudio divulgado pelo governo. A ideia por enquanto é repassar parte da reserva de segurança do Estado para os municípios, enquanto se está "cobrando do Ministério da Saúde a reposição".

A situação se repete no Distrito Federal. "Em relação a todas as vacinas que têm chegado, principalmente de Coronavac, isso foi muito bem observado por todos os nossos vacinadores, é que, em determinados frascos, na sua grande maioria, temos conseguido apenas nove doses", declarou o secretário de Saúde, Osnei Okumoto em coletiva de imprensa na segunda-feira, 12.

Em nota, o Ministério da Saúde apenas reiterou orientar o registro no "formulário técnico quando não for possível aspirar o total de doses declaradas nos rótulos das vacinas". "A análise dessas ocorrências será conduzida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)", completou.

Além disso, uma nota técnica da pasta de fevereiro aponta que os frascos das vacinas produzidas tanto pelo Butantan quanto pela Fiocruz devem ter cerca de 5 ml, com recomendação de que cheguem a 5,3 ml, para ter uma margem de segurança e garantir a aplicação de 10 doses de 0,5 ml. "A mistura de vacina de frascos-ampola diferentes para completar uma dose é rigorosamente contra indicado, uma vez que as vacinas estão sujeitas à contaminação", destaca.

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