Por: Fabrício Viana Sousa
Nos últimos anos, muitos brasileiros passaram a ouvir falar sobre as chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos injetáveis que prometem reduzir peso rapidamente com pouco esforço. Substâncias como a Tirzepatida, popularizada por nomes comerciais como Mounjaro, ganharam destaque nas redes sociais e até na mídia. Mas o que muitos não sabem é que esses tratamentos, apesar de terem indicação clínica aprovada para obesidade e diabetes, também apresentam perigos graves quando usados sem a orientação adequada.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem emitido alertas nos últimos meses por causa de um aumento de eventos adversos relacionados ao uso inadequado desses medicamentos. Entre 2020 e o final de 2025, foram registradas 145 notificações de eventos adversos no Brasil, incluindo seis mortes suspeitas possivelmente ligadas a complicações como pancreatite aguda - uma inflamação grave do pâncreas que pode evoluir para formas fatais.
A própria bula desses medicamentos já indica o risco de pancreatite, mas o alerta da Anvisa surgiu justamente porque muitos estão usando as “canetas emagrecedoras” fora das indicações médicas, visando apenas questões estéticas e de emagrecimento. Em casos de dor abdominal intensa, náuseas persistentes ou vômitos, a orientação é suspender o uso e procurar atendimento médico imediato.
Outro ponto que preocupa especialistas é a perda de massa muscular associada à perda de peso rápida. Estudos recentes mostram que, ao perder peso com a ajuda de medicamentos como a Tirzepatida ou Semaglutida, o corpo não elimina só gordura: parte da massa magra também pode ser reduzida, o que aumenta o risco de sarcopenia, que se caracteriza pela perda progressiva e generalizada de massa, força e função muscular, especialmente em pessoas mais velhas, sedentárias ou com alimentação pobre em proteínas, tornando o corpo mais frágil e aumentando o risco de quedas, fraturas e dificuldade para realizar atividades do dia a dia.
As “canetas emagrecedoras” não são uma fórmula mágica isenta de riscos. Embora a Tirzepatida e outros medicamentos dessa classe tenham indicação legítima para controle de peso e diabetes quando usados corretamente, o uso indiscriminado pode levar a complicações graves, como pancreatite e perda excessiva de massa muscular com consequências duradouras para a saúde. O que está em jogo não é apenas o número na balança, mas a qualidade de vida e a segurança do paciente. A melhor forma de emagrecer de maneira saudável continua sendo a combinação de mudanças no estilo de vida, orientação médica qualificada e acompanhamento contínuo. Antes de pensar em atalho, pergunte-se: será que vale a pena colocar a minha saúde em risco por uma solução rápida?
*Fabrício Viana Sousa é farmacêutico, mestre em saúde do adulto e atualmente professor na escola superior de saúde única do Centro Universitário Internacional UNINTER






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