A automutilação, clinicamente classificada como Lesão Autoinfligida Não Suicida (LANS), envolve comportamentos como cortar, queimar ou golpear a si mesmo. De acordo com psicólogos e psiquiatras, a dor física atua como uma válvula de escape temporária para uma dor emocional que o jovem considera insuportável, frequentemente associada à depressão, ansiedade generalizada, bullying ou dinâmicas familiares disfuncionais.
O Papel do Ambiente Digital
Nos últimos anos, a hiperconectividade transformou a dinâmica desse comportamento. Embora a internet funcione como rede de apoio em alguns casos, algoritmos de redes sociais muitas vezes expõem mentes vulneráveis a conteúdos que romantizam ou validam a autoagressão. Comunidades virtuais fechadas e desafios online funcionam como gatilhos, normalizando práticas de risco e dificultando a percepção do jovem de que ele precisa de tratamento médico. Escolas e ambientes educacionais têm se tornado a primeira linha de identificação. Educadores relatam que a oscilação brusca no rendimento escolar, o desinteresse por atividades sociais e o uso de vestimentas inadequadas para o clima local são indicativos frequentes observados no dia a dia escolar.
Na segunda quinzena deste mês de maio, seguidores de uma moradora da zona rural, se assustaram com uma de suas postagens nas redes sociais, pois mostrava imagens da mulher praticando automutilação com uso de uma lâmina de barbear. A reportagem do Jornal Forte no Recôncavo conseguido com exclusividade manter contato com a mulher de 27 anos, que para nossa reportagem, revelou sofrer com isso desde sua adolescência. A mulher ainda revelou que cometeu esse último ato durante uma crise de ansiedade depressiva. A nossa reportagem optou por manter em sigilo a identidade da mulher.
Sintomas e Sinais de Alerta
Para pais e responsáveis, identificar o problema precocemente aumenta de forma drástica a eficácia do tratamento.
Os principais sinais incluem:
- Isolamento social: Afastamento abrupto de amigos e familiares.
- Roupas inadequadas: Uso constante de casacos e calças compridas no calor.
- Ferimentos frequentes: Cicatrizes, cortes ou queimaduras sem justificativa clara.
- Mudanças de humor: Irritabilidade extrema, apatia ou crises de choro sem motivo aparente.
- Posse de objetos cortantes: Presença inexplicável de lâminas, estiletes ou agulhas entre os pertences.
A Importância do Acolhimento sem Julgamentos
O maior obstáculo para a recuperação ainda é o estigma. Especialistas em saúde mental enfatizam que a reação inicial da família determina a adesão do jovem ao tratamento. Expressões de choque, punições ou acusações de "drama" tendem a aumentar a culpa e o isolamento do adolescente, agravando o quadro de automutilação.O caminho indicado envolve uma escuta ativa, empática e desprovida de julgamentos morais, seguida pelo encaminhamento imediato a profissionais de psicologia e psiquiatria. A automutilação tem tratamento e, com a abordagem terapêutica correta e suporte medicamentoso quando necessário, o jovem desenvolve ferramentas saudáveis para lidar com suas frustrações e dores emocionais, resgatando sua qualidade de vida e bem-estar.
Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil e praticando automutilação, saiba que existe ajuda disponível. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso 24 horas por dia. Você pode ligar para o número 188 ou acessar o site oficial do CVV para conversar via chat. O atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do SUS também é uma alternativa pública e especializada.






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