O seminário de Salvador dá sequência ao lançamento realizado no mês de junho, no Centro Cultural EcoViva, em Lençóis, na Chapada Diamantina, que reuniu lideranças de 32 municípios da região, seguindo para formalização de adesão ao projeto, que avança atuação no estado. A iniciativa é viabilizada com recursos do Fundo da Infância e Adolescência (FIA), via Fundo Estadual da Criança e do Adolescente (Fecriança), em parceria com a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) e o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CECA), com apoio do Nubank.
O projeto prevê o atendimento a 150 mil estudantes em aproximadamente 500 escolas municipais e estaduais da Bahia ao longo de 2026, com formação de mil educadores, sendo 800 em formato EAD e 200 em encontros presenciais, e a distribuição de kits com jogos da família PIC$ para as escolas participantes, com tabuleiros e jogos de cartas que abordam, de forma lúdica e por faixa etária, temas como planejamento financeiro, consumo consciente, endividamento, empreendedorismo e sustentabilidade, todos com recursos de acessibilidade em Libras.
"A educação financeira precisa estar conectada ao cotidiano dos estudantes e das famílias brasileiras. Quando o professor se apropria da metodologia e trabalha o tema de forma integrada, o aprendizado ganha sentido e continuidade dentro da escola e ultrapassa, por meio dos alunos motivados, para suas famílias", afirma Luis Salvatore, presidente do Instituto Brasil Solidário.
Segundo o Serasa, o Brasil registrava 80,4 milhões de inadimplentes em outubro de 2025, e o problema tem raízes anteriores à vida adulta. O Relatório de Cidadania Financeira do Banco Central, lançado em abril de 2026, associa diretamente o analfabetismo financeiro ao endividamento crônico das famílias brasileiras. A experiência do IBS em outras regiões do país mostra que a escola é o lugar onde esse ciclo pode ser quebrado.
Avaliação conduzida em parceria com a Plano CDE, divulgada no final de abril, com mais de 2.300 educadores da rede pública mostrou avanços consistentes em todos os indicadores após as formações. Sete em cada dez professores declararam, ao serem questionados, não ter as ferramentas necessárias para ensinar educação financeira. Após a formação, esse quadro se inverteu: mais de 80% se sentiram preparados para abordar o tema em sala de aula.
Vale destacar também que 80% dos educadores formados pelo IBS são mulheres, o que faz do projeto também uma agenda de empoderamento financeiro feminino. Professoras que aprendem a lidar com o próprio dinheiro passam a ensinar o tema com autoridade e experiência própria. Um exemplo é a professora Janete dos Santos Oliveira, de Imperatriz (MA), que saiu de uma grave crise de endividamento, levou a educação financeira para a sala de aula e resultou na aprovação de uma lei municipal sobre o tema em 2025.
A receptividade ao projeto no primeiro seminário, realizado em Lençóis, antecipa o potencial do que chega a Salvador. Para Flávia de Sousa Pinto, assessora técnica da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado da Bahia, na Coordenação de Proteção à Criança e ao Adolescente, o projeto se destaca por alcançar além dos muros da escola. "Me chamou a atenção que ele tem uma perspectiva de acolher não só os estudantes, mas as suas famílias. Como esse projeto permite uma transformação também do núcleo familiar, porque toda a família acaba se envolvendo a partir do desenvolvimento da criança na escola isso para mim foi um ganho interessante", afirmou.
Ricardo Berbel, secretário municipal de Educação de Wagner, diretor da Undime do território Chapada Diamantina e vice-presidente da Undime Bahia, destacou a dimensão do projeto para além da educação financeira. "Se eu pudesse sintetizar, seria a apresentação de uma temática que precisa ser trabalhada com os alunos desde cedo, para que as futuras gerações tenham, além da organização financeira, projetos de vida e mudança de realidade. E isso sendo apresentado de maneira lúdica, o que vai chamar a atenção", disse.
O projeto também atenderá estudantes vinculados à Associação de Educadores de Escolas Comunitárias (AEEC), organização com histórico de atuação junto a escolas comunitárias em diferentes territórios da Bahia. Ao contrário de intervenções pontuais, a iniciativa prevê quatro ciclos formativos ao longo do ano letivo, avaliação externa independente e monitoramento contínuo do impacto nas escolas participantes.
SERVIÇO
Seminário "Jogar e Aprender" Instituto Brasil Solidário
Data: 17 de julho
Local: Fiesta Bahia Hotel— Salvador (BA)
Sobre o Instituto Brasil Solidário (IBS)
Organização social de interesse público, com 25 anos de experiência em educação no território brasileiro e América Latina e missão de contribuir com o desenvolvimento econômico, social e sustentável. Atua para potencializar habilidades socioemocionais e o desenvolvimento cognitivo, na perspectiva da formação continuada de educadores e por meio de projetos de impacto, do letramento de crianças, Ensino Básico e aos jovens no Ensino Médio. Com propostas mobilizadas em escolas públicas dos 26 estados do Brasil, as atividades integram as mais diversas áreas na educação complementar: Incentivo à leitura, Arte e Cultura, Educação Ambiental, Educação Financeira, Saúde, Educomunicação, Cidadania e Empreendedorismo. O IBS consolidou-se como uma organização de impacto social de referência no Brasil e na América Latina com o com o projeto Vamos Jogar e Aprender e jogos da família PIC$.





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