Mandala faz diversas vítimas na Bahia e em outros estados

Você certamente já ouviu falar, ou foi convidado para participar das famosas pirâmides financeiras, que agora reaparecem como mandalas, uma aplicação financeira ilegal no Brasil e que promete ganhos multiplicados e garantidos aos participantes. Por ganância ou inocência, um número grande pessoas tem participado do esquema que é considerado crime.

Em Patos de Minas os grupos trabalham com valores em torno de R$ 125,00, para um ganho previsto de R$ 1.000,00. Através do aplicativo Whatsaap são formados os grupos e os convidados depositam o dinheiro diretamente na conta de quem o criou. Cada um dos participantes precisa convidar mais pessoas para dar andamento aos giros da mandala, afim de se chegar ao centro das camadas e então receber o montante, que supostamente seria bem maior do que o que foi investido.

Mesmo que você conheça pessoas que já receberam dinheiro através deste tipo de movimentação, muito cuidado, especialistas em economia e juristas afirmam que além de ser crime, em algum momento alguém vai ser lesado. Em entrevista para a coluna Brasil Econômico do economia.ig, o advogado e professor de matemática financeira, José Vieira Dutra Sobrinho, disse que a tendência natural, à medida que a pirâmide ou neste caso a mandala caminha, é que um número muito maior de pessoas vai acabar perdendo dinheiro, porque a corrente sempre se rompe.

Ainda de acordo com a publicação, a prática é enquadrada como um crime contra a economia popular tipificado no inciso IX, art. 2º, da Lei 1.521/51: “obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos." Até o momento, a Polícia de Patos de Minas não recebeu queixas de perdas financeiras.


Bahia
Na Bahia, um rapaz que resolveu entrar em um destes esquemas decidiu que não iria sair no prejuízo, indo cobrar do divulgador a quantia investida. O fato ocorreu na manhã nesta quinta-feira (22), em Lauro de Freitas. Alan Patrick de Santana foi preso, suspeito de matar Pedro Henrique de Cardoso Silva.

A vítima era um divulgador da pirâmide “Mandala”, um novo esquema surgido há poucos meses no Acre, e que vem crescendo rapidamente. Alan teria entregue R$1.000 para que Pedro o incluísse no “sistema” e então passasse a receber rendimentos pelo cadastramento de novas pessoas. Só que os pagamentos não aconteceram e então Alan foi exigir que Pedro lhe devolvesse o dinheiro investido. Com a recusa do divulgador devolver o montante, o suspeito foi em casa buscar uma arma calibre 380. Retornou e matou o divulgador com vários tiros a queima roupa. O suspeito fugiu mas foi preso rapidamente, em flagrante, pela Polícia Militar. Alan Patrick foi levado para o complexo policial da cidade, onde confessou e permanece a disposição da Justiça.

Ministério Público investiga “Mandala”
O Ministério Público abriu investigação para chegar aos responsáveis pelo jogo da mandala, no WhatsApp, e enquadrá-los em crime contra a economia popular, cuja pena, além do pagamento de multa, rende prisão de seis meses a dois anos. O promotor de Rio Preto e secretário executivo da Justiça Criminal, José Heitor dos Santos, solicita a abertura de inquérito policial, onde seja decretada prisão preventiva dos praticantes da mandala.

“Todos, quem depositou e quem organiza, poderão ser presos preventivamente a partir da abertura do inquérito", disse o promotor. A decisão foi tomada durante reunião com todos os promotores criminais de Rio Preto. Dos 11 promotores, oito compareceram. “Ficou decidido, por unanimidade que em tese a mandala trata-se de um crime contra a economia popular”, disse Santos. “A mandala tem todos os indícios de uma pirâmide. Fiz um levantamento que mostra que, entre 100 participantes, dez vão receber. Outros 90 ficam no prejuízo.


Com informações da Redação FR

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