quarta-feira, 30 de junho de 2021

Morador de rua da cidade de Cruz das Almas é imunizado contra a covid-19 na capital baiana

Os meios pelos quais as pessoas em situação de rua de Salvador souberam que poderiam ser vacinadas variam. Contudo, a felicidade e a comoção são sentimentos comuns entre elas, tanto no momento em que foram informadas da imunização quanto na aplicação da dose única da Janssen contra a Covid-19.

São sete mil doses do imunizante separadas para este público, conforme anúncio do prefeito Bruno Reis. A emoção foi relatada por Bruna, Arlindo, Carina e muitos outros que estão expostos, diariamente, não somente à vulnerabilidade social, mas também ao coronavírus. Este grupo começou a ser vacinado nesta terça-feira, 29, em pontos fixos na cidade.

O secretário de Saúde de Salvador, Leo Prates, explicou que o imunizante foi escolhido por uma questão estratégica, inclusive em razão da dificuldade em localizar as pessoas para realizar a aplicação da segunda dose.

Parte da vestimenta
Basta tirar a máscara que já se sente nua. Esta é a sensação de Bruna Costa, uma mulher trans de 23 anos, que habita a rua há um ano. Ao contrário de algumas pessoas que insistem em não utilizar a máscara - forte aliada no combate ao vírus -, Bruna afirma que só tira a proteção facial para realizar as refeições. “Uso praticamente 24 horas”, diz. Ela conta que foi morar na rua “para ter mais liberdade” e acrescenta ser feliz com a escolha. Bruna soube da vacinação por meio de colegas que também estão em situação de rua, e ressaltou ter ficado feliz com a imunização.

Ansiedade
Ansioso pela vacinação, Arlindo Bispo, de 36 anos, soube da vacinação pela televisão, enquanto tomava café no Centro Especializado em População de Rua (Centro Pop),gerido pela prefeitura de Salvador. Em questão de minutos, ele completou o esquema vacinal que tanto aguardava. Bispo veio de Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, há 25 anos, e conta que sempre esteve na rua. Há um ano, ele conseguiu uma vaga em um albergue.

Dose da esperança
Carina da Silva Miranda, de 34 anos, ficou sabendo da dose da esperança a partir de um colega. Casada e mãe de dois filhos, de 10 e 14 anos, ela foi morar com a família na rua há cinco anos, por não conseguir pagar o aluguel de sua residência. Ela afirma que receber a vacina é algo 'maravilhoso'.

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